ExpressArte – Fev/10

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Nut, Capotraste ou Pestana?
(Jornal ExpressArte – Dez/09 – Salto, Itu e Indaiatuba)
Por Paula Bifulco

Nut, capotraste, pestana. Todos estes termos denominam o componente localizado entre a escala do instrumento musical e o headstock. Suas principais funções consistem em determinar o espaçamento das cordas, direcioná-las para as tarraxas, determinar a altura e servir como um ponto de apoio do encordoamento.

Constituído de diversos tipos de materiais o nut é uma peça fundamental que também se relaciona com o timbre. Existem capotrastes feitos de plástico, osso bovino, corian, marfim, micarta, latão, fibra de carbono, de grafite entre outros. Cada um desses elementos possui uma característica sonora diferente e uma resistência particular.
O plástico, o latão, a fibra de carbono, o marfim emanam um timbre mais agudo. Já as pestanas de osso bovino, corian, micarta, fibra de grafite produzem uma sonoridade mais encorpada, balanceada.

Outro aspecto importante a ser destacado é o atrito entre a corda e o nut. Ao tocarmos um violão as cordas vibram dentro das cavidades, onde se apóiam, ocasionando um desgaste natural como: fissuras, rebarbas nos sulcos que geram trastejamentos e até rompimentos das cordas nesta região. Neste aspecto, é importante ter uma peça com um bom acabamento e verificar se as ranhuras estão corretamente executadas.

Outra categoria de capotraste é o RollerNut produzido pela LSR. Utilizado inicialmente pelas Fender americanas, constitui em um bloco de metal com dimensões pré definidas. Os sulcos possuem micro esferas de metal que anulam o atrito das cordas ao se movimentarem sobre esses pequenos roletes. É uma opção bastante eficaz que combina com tarraxas com trava e guitarristas que se utilizam freqüentemente a alavanca e/ou executam muitos bends e vibratos.

Pestanas em geral são comumente instaladas com algumas gotas de cola (do tipo superbonder ou cola madeira).

Instrumentos como violões eruditos, a peça é apenas encaixada na cavidade. Existem nuts pré-fabricados com as dimensões para cada tipo de instrumento. Alguns até difíceis de encontrar. Mas geralmente, quando há a necessidade da regulagem ou troca deste componente, o próprio luthier confecciona a peça de acordo com as medidas da cavidade do nut e utiliza um gabarito específico para medir o espaçamento das cordas.

Alguns cuidados essenciais para manter seu capotraste, seja qual for o material de sua confecção, são importantes serem destacados:

• O capotraste deve estar com sua superfície inferior totalmente encostada na cavidade que o acomoda, no início da escala;

• Uma boa alternativa para melhorar o desempenho do nut é passar parafina nas cavidades por onde as cordas apóiam, principalmente quando realizar a troca do encordoamento;

      • Nos RollerNut(s), o óleo de máquina é indicado para lubrificar as esferas. Lembre-se que se colocar em excesso, pode ocorrer o acúmulo de sujeira e danificar sua peça com o tempo. Use o lubrificante com moderação!

      • Caso haja rebarbas de material na pestana que possam estar ocasionando o rompimento ou travamento de cordas nesta região, pode-se passar uma lixa (220) no sulco que esteja com o problema;

      • Verifique também a altura com que as cordas apoiadas no nut, atente para um limite mínimo que não gere trastejamento e um limite máximo para que elas não fiquem muito altas.

            Lembre-se de que o nut, capotraste ou pestana é feito sob medida para cada tipo de instrumento, podendo até variar de dimensões em um mesmo modelo. Por isso é necessário conhecer a maneira correta de sua confecção e instalação para que a peça não prejudique o desempenho de seu instrumento e prejudique sua afinação.


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            Pauleira : Paula Bifulco é luthier formada pela B&H Escola de Luthieria, onde dá aulas de luthieria. Sagitário, gosta da cor roxa e seu ídolo nas guitarras é Brian Setzer. É do seu capricho no trado dos instrumentos musicais e da vontade de dividir seus conhecimentos que nasceu o blog pauleiraguitars.com



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