Ajustando o Tensor
(Jornal ExpressArte – Dez/09 – Salto, Itu e Indaiatuba)
Por Paula Bifulco
Guitarra trastejando, casas agudas que não afinam corretamente, cordas muito altas. A primeira coisa que devemos observar em um instrumento com essas condições é o tensor.
Responsável pela correção da curvatura do braço resultante da tensão do encordoamento, o tirante – como também é conhecido – possibilita ajustes que, além de amenizar a tensão das cordas, podem fazer toda diferença em uma regulagem.
Para iniciar uma análise das condições do braço do seu instrumento é importante levar em consideração o tipo de afinação utilizada, o calibre das cordas, bem como os pontos de apoio do instrumento: ponte ou cavalete, pestana e tarraxas.
O ajuste começa com a avaliação da curvatura. A observação é feita através da quina lateral da escala onde geralmente visualizamos do corpo em direção ao headstock. O ideal é ter uma escala reta e paralela em relação as cordas. Mas isso pode ser reconsiderado dependendo da condição do instrumento: eventualmente uma leve curvatura pode compensar um simples trastejamento, ou uma ação mais baixa de cordas, por exemplo.
Nem sempre haverá uma curva acentuada, na maioria das ocorrências é bem sutil. Daí a importância de treinar uma visualização mais apurada.
Braço para trás
Analisando este tipo de empenamento podemos entender que o tensor está solto, a solução é apertá-lo até equilibrar sua ação com a pressão exercida pelo encordamento.
Braço para frente
Quando o tensor estiver apertado, note uma curva para frente. Neste caso, deve-se soltá-lo aos poucos até equilibrar com a ação exercida pelas cordas.
Caso haja uma curvatura seja ela para frente ou para trás muito acentuada e o tirante não consiga chegar ao ponto de equilíbrio, é necessário avaliar o funcionamento do tensor e as condições de movimentação das madeiras da escala e/ou do braço.
Regular um tensor exige alguns cuidados importantes. Como há uma variedade de modelos é necessário usar a chave certa para não correr o risco de espanar a bala ou bullet, a porca – como chamamos a peça de acesso ao ajuste.
Outra dica: antes de observar o tensor, deixe o instrumento afinado para uma avaliação da ação das cordas. Feita a observação na lateral da escala, afrouxe as cordas para que elas não arrebentem e caso precise apertar o tensor – afine novamente com o tensor já ajustado.
No caso de uma guitarra com ponte móvel, não se esqueçam que as molas também regulam a ação das cordas. Então existem mais elementos envolvidos nessa regulagem que devem ser levados em consideração.
Se não estiver conseguindo apertar nem soltar o tensor, talvez a rosca esteja travada por oxidação ou sujeira. Insira um pouco de óleo de máquina e deixe escorrer para dentro da cavidade do tensor, isso facilita o manuseio do sistema de ajuste. Nunca force muito o ajuste do tensor, isso pode causar danos mais sérios ao seu instrumento. O ajuste é feito em etapas, inicie com ¼ de voltas, gradativamente.
Em resumo, são dicas gerais sobre o ajuste de um tensor. Cada instrumento tem suas particularidades e ajustes específicos. Portanto, antes de realizar qualquer teste, é importante estar ciente de que cada regulagem é um conjunto de fatores interativos.
Quero aproveitar esta última edição de 2009 para agradecer o pessoal do ExpressArte que confiou no meu trabalho e a todos os leitores que acompanham minhas matérias. Sintam-se a vontade para me mandar dúvidas e sugestões: pauleira@gmail.com
Bom final de ano a todos e até 2010!?


Alberto
2 de outubro de 2010
Cara, você tem o Dom. Exelente matéria. Quero um curso desse.
Pauleira
outubro 5th, 2010
Os links da escola estão todos na página principal do meu blog, dá uma conferida.
Abçs