Strato Relic

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Muitas pessoas trazem seus instrumentos para uma restauração, mas desta vez fizemos o contrário: DESTRUIMOS TUDO…e sem dó nenhuma!

ANTES

A Strato veio assim...

DEPOIS

...e voltou assim!

ANTES

Acabamento em verniz...

DEPOIS

...destruição do branco.

ANTES

Além de acabamento em verniz, o corpo ainda possuia um revestimento com folha de madeira para disfarçar as emendas do corpo.

DEPOIS

E o soneto que acabou com as emendas.

ANTES

Ligações em decadência!

DEPOIS

Novos cuidados com a bateria e...

...ligações em ascensão.

ANTES

Corpo velhinho em "folha".

DEPOIS

Corpo novinho (?) e sem folha.

ANTES

Parte traseira com verniz...

DEPOIS

...parte traseira pós apocalipse!

Mas para esse trabalho foram utilizadas algumas “técnicas” destrutivas para identificar a Strato como uma guitarra supostamente desgastada pelo tempo de uso.

Vamos ao que realmente aconteceu por trás dos bastidores nervosos da Pauleira Guitars:

Embrulha para viagem, Music Kolor!

Como a distância versus tempo é algo que precisamos resolver em algumas situações, em parceria com a Music Kolor fizemos tudo pelo Correio desta vez para facilitar nossas vidas de leva e traz!

E se o Correio por acaso estragasse a futura pintura da guitarra “transparente” só iria ajudar no processo!

Pintura branca feita pela Music Kolor

O trabalho da MK é muito bom! E para homenagear sua nova fase de rupturas e novos desafios, detonamos todo o trabalho dos meninos!

Marcação dos desgastes

“Estragar” um corpo de guitarra é uma arte extremamente abstrata e pessoal…vocês devem estar imaginando: Nossa, que coxinha! Ela desenhou e estiletou os desgastes! Nossa, fia! Estraga logo isso!

Estragando logo isso...

Por se tratar de algo muito abstrato e sem replicar nenhum detalhe de um modelo, segui algumas especificações dadas pelo responsável pela criança. Algumas regiões procurei seguir o que me foi pedido para que o músico não fosse surpreendido negativamente.

Desgaste com lâmina

Existem milhares de formas de detonar uma guitarra…eu utilizei alguns recursos. Comecei com a lâmina para demarcar as principais regiões.

Desgaste com formão

Além de raspar para tirar a tinta (que a Music Kolor fez questão de dificultar esse processo!!!) com o formão, também houveram batidas espontâneas pelo corpo…momento de extrema catarse…

O momento foi tão intenso que saí batendo a guitarra na bancada também!

Resultado de algumas poucas pancadas no início do processo.

Riscos, batidas, amassados, lascados…tudo que um guitarrista levaria anos para destruir durante suas longas turnês, fiz em meia hora!

FOTOS DA PRIMEIRA FASE DO PROCESSO RELIC:

Após agredir brutalmente a Strato, iniciam-se os trabalhos de transformação de todo esse desarranjo voltados para o envelhecimento “natural” das marcas.

Lixadeira orbital

Utilizei lixa 80, 120, 220, 400…não existe uma fórmula pronta para danificar um instrumento. Tudo aqui foi sendo testado conforme as disponibilidades de recursos e seguindo algumas exigências do Marco (a quem pertence esta guitarra).

Recurso natural disponível - alguns minutos de chuva...

Isso eu fiz só para tocar o terror e plantar a discórdia entre os seres humanos!

Lixas de perfumaria

Um acabamento mais refinado nas transições entre madeira aparecendo e tinta cobrindo – tudo para disfarçar o proposital.

Batom cor de boca! =D

Outro dia ganhei um batom dessa cor e me disseram que era cor de boca…mas não serviu pra minha!

Lubrificante para cravelhas!

Nem tudo é o que parece, certo?! Nem todos os recursos disponíveis foram utilizados…esse lubrificante para cravelhas eu ganhei faz um bom tempo. Nunca tive a oportunidade de usar e achei que talvez esse fosse o momento certo.

Escurecimento da madeira

Sombreados, gorduras, suor…tudo isso é captado pela madeira exposta de uma guitarra “estrupiada”.

Bombril

Luva pra que?! Desculpem, mas eu tinha acabado de fazer as unhas nesse dia…

OBS: Esse trabalho não foi feito todo no mesmo dia: além de ter ficado na chuva, o corpo da guitarra passou alguns dias no sol também.

Bronzeamento artificial

Como o tema “Relic” foi tratado de diversas formas durante o processo de realização do mesmo, muitas vezes tive que mudar as atividades tentando envelhecer a cor – o que poderia ter sido feito durante a pintura. Mas tudo bem, aqui o cliente tem que sair feliz e satisfeito, mesmo que para isso eu tenha que apelar para forças sobrenaturais…tipo fazer café!

Banho no café

Frente e costas

Alguns minutos de cada lado para não enrrugar a tinta por completo…

Outras aplicações...

Líquido preto para couro, óleo de peroba, óleo desengripante…

A idéia era encardir as rachaduras provocadas “pelo teeeempo” e dar uma força para a tinta da guitarra amarelar mais rápido – aí, em tempo real, conforme sua utilização. Afinal, o músico também tem que deixar suas marcas no instrumento…a gente só deu o start!

Pausa para o cafezinho

Bom, todas as pausas são criativas…ou não! Coloquei um sache de chá mate para envenenar a bebida e fazer outra aplicação.

"Xuxada" com sache

Este foi o último recurso que utilizei para acelerar o processo de envelhecimento…enquanto a galera procura a juventude, estou trabalhando com o envelhecimento precoce!

DETALHES DAS AVARIAS:

Entenda como as marcas supostamente foram causadas...

Mensagem subliminar deixada pelos povos antigos

Marcas dos povos atuais

Marcas provocadas pelo atrito do braço desde 1983

Marca de descuido

Marca da época que não tinha case

Marcas de pular portão com a guitarra nas costas

Marcas de queda e apoio dos suportes de ferro oxidado

Essa marca é do tempo de verdade!

Marca das "barrigadas"

Marca de batida na catraca

Marcas de quando o guitarrista abaixou junto com a guitarra para mexer na pedaleira e bateu o cutaway no pedal board e no pedestal de microfone

Marcas de quando a guitarra escapou da correia

Marca de algum luthier que riscou o corpo com uma chave phillips

Marcas do cinto 1

Marcas do cinto 2

Marcas dos rebites da calça de couro

MONTAGEM

Confecção de um novo escudo

Cópia do modelo anterior

Um dos únicos ítens novos da guitarra

O resto já estava tudo envelhecido pelo tempo então foi mais fácil compor o visual relíquia.

Tremolo Fender

O problema de utilizar hardware nesse estado é a transferência de ferrugem para as cordas, trastes, elétrica…neste caso eu poli o apoio das cordas nos carrinhos para auxiliar o aumento do tempo de vida da mesma (alguns ítens não devem ser envelhecidos!). Neste caso é importante sempre trocar as cordas.

Aliás, a outra única coisa nova da guitarra é o encordoamento.

Molas antigas mas ainda com certa pressão

Será que essa guitarra estava só guardada?

Pino de correia com as marcas das correias, batidas de cabo...

"Acabamento" do jack plate

IMAGENS DO FINAL DOS TRABALHOS:


Palavras Chave:  : 

Pauleira : Paula Bifulco é luthier formada pela B&H Escola de Luthieria. Sagitário, gosta da cor roxa e seu ídolo nas guitarras é Brian Setzer. É do seu capricho no trato dos instrumentos musicais e da vontade de dividir seus conhecimentos que nasceu o blog pauleiraguitars.com



COMENTÁRIOS

MUSIC KOLOR

17 de agosto de 2012


Vou ali me jogar do prédio! hahahaha… ficou sensacional Pauleira.. parabéns! Vai chover pedidos!

Pauleira

agosto 18th, 2012

Rafa, a arte de estragar um belo trabalho mexe muito com nosso emocional, mas temos que ser fortes! hahaha

Teo Oliver

17 de agosto de 2012


Ficou muito bonita, essa combinação de branco com escudo preto, acho que fica animal em strato!

A arte de relic ficou muito ledal tbm, muito caprichado e detalhado…Ficou muito bonita!

Mas que deu dó de destruir a guitarra deu…rsrsrs

Kleber

17 de agosto de 2012


Paula, isso sim é “VINTAGEZAR” radicalmente.

Muito legal.

Rafael

17 de agosto de 2012


que que isso heim!! ficou fantástica!!
parabéns! deu até inveja do dono

Thiago Aranha

17 de agosto de 2012


Ficou muuuuuuuito legal, Paulinha!! Se chegar outra com um pedido, me da um toque que vou ai no hora do almoço te ajudar. De grátis! hahahahah

Pauleira

agosto 18th, 2012

Aí sim hein!!! Pode deixar que eu te chamo pra gente detonar a guitarra! rsrs

Alexandre

18 de agosto de 2012


Acho muito legal este lance de romper as barreiras conservadoras e inovar. Me identifico muito com seu trabalho, as pessoas as vezes me chamam de maluco por modificar meus intrumentos. é bom saber que não sou o único rsrsrs. Uma vez, ouvi que caminhos iguais nos levarão a lugares iguas… rsrsrs (filosofei).

Sou seu fã, mais uma vez parabens pelos trabalhos, acompanho mais o seu site do que o site da minha faculdade rsrsrs.

Pauleira

agosto 20th, 2012

Hahahaha nossa Alexandre, sim romper barreiras conservadoras é um aprendizado muito impactante.
O importante é saber bancar suas idéias!
Muito obrigada por acompanhar o site, mas a faculdade também pode ser vista de uma forma tão legal quanto….dependendo do quanto você se identifica com ela!
Um abraço

Cicero

20 de agosto de 2012


Paula, sou admirador do teu trabalho, mas confesso que não gostei do visual Relic nessa Strato… acho que um bom Relic deve ir só até certo ponto, depois o cliente vai usando e agregando destruição/desgaste – quando vc começou a tonalizar as manchas da madeira e lixar os desgastes, o resultado ficou artificial. Eu já cheguei a pensar e fazer um Relic eu mesmo, mas como você é uma profissional extremamente competente e não chegou num resultado que eu considero ideal, já desisti da idéia de mexer por conta própria, hahah… no mais, parabéns pelo blog e pelos seus posts, eu sempre aprendo alguma coisa.

Pauleira

agosto 20th, 2012

Oi Cicero, fique a vontade para não gostar também…isso é normal! Afinal tratam-se de trabalhos voltados para os gostos dos clientes e como cada um tem um gosto pessoal diferente, eu sigo isso e aprendo com todo mundo.
Eu pessoalmente gostei deste trabalho. O mais importante foi o acompanhamento e a aprovação do cliente.
Se a encomenda fosse sua eu faria de outro jeito. E gostaria do mesmo jeito!
Assim que funciona…não quer dizer que tudo o que eu faço é da mesma forma, muito pelo contrário. Me moldo ao gosto e preferências dos clientes.
Um abraço!

Elio Motta

21 de agosto de 2012


Não é muito a minha praia o tipo Relic, mas tenho que reconhecer a qualidade do trabalho ( alias, como tantos outros que você fez e faz.) Muito legal ver um trabalho assim, pois confesso que não teria estrutura emocional para fazer este trabalho ( Só de ver o coração doi  rs rs rs : se tivesse que fazer , chamaria a equipe de apoio: auxiliar doméstica, filhos pequenos e talvez até um cachorro !  rs )
Parabéns pelo post

Pauleira

agosto 21st, 2012

É tem que ter coragem mesmo rsrsrsrsrs – se fosse um corpo com a pintura já pronta é uma coisa, mas tive que mandar para a Music Kolor que fizeram um trabalho lindo….depois estragar, acho que o que mais pegou foi isso! =D

Cicero

21 de agosto de 2012


Pois é, tens toda razão, pensando melhor, deve ser uma questão de gosto pessoal mesmo. O importante é a satisfação do cliente, vc está certíssima. É por isso que continuo admirando teu trabalho.

Pauleira

agosto 21st, 2012

=D Um abraço

Matheus Figueiredo

22 de agosto de 2012


Achei interessantissimo o trabalho de relic, pra mim só faltou tirar um pouquinho de brilho (mas acho que a cor branca não ajuda a perceber isso direito) e faltou as marcas de cigarro no headstock rsrsrsrs clássicas. No mais ficou muito bom!

Pauleira

agosto 22nd, 2012

Matheus…e.sse guitarrista não fuma rsrsrsrsrsrsrs mas é bem legal isso também e as manchas na escala, quem sabe numa próxima!
Abs

Felipe

27 de agosto de 2012


Olá Paula, Como você fez aquela ”parada” com o café?, simplesmente deu um banho na guitarra com café, se sim , por quanto tempo?
e como eu faço para tirar o verniz da guitarra?

Agradeço desde já.

Abraço

Pauleira

agosto 28th, 2012

Felipe, não contei o tempo exato, ficou uns 20 min acredito eu…
Para tirar o verniz, lixando, passando tinner, bombril…

Cicero

3 de setembro de 2012


Paula, a Music Kolor fez pintura dessa guitarra em poliuretano ou nitrocelulose? Eu tenho interesse em refazer a pintura da minha guitarra que é em Poli pra Nitro… caso eles façam, sabe quanto custa? Essa strato que vc fez o Relic, era em qual tipo de pintura?

Pauleira

setembro 4th, 2012

A Music Kolor faz nitro e pu – essa é em PU.

Raissa

5 de setembro de 2012


Relicar deve ser algo descomunal… imagina a dor de acabar uma guitarra?! Sou adepta de guitarra de 20 anos parecendo que tem 5 anos.

No mais, Paula, seu trabalho foi muito bom. Não pareceu tãão artificial.

Abraço

Pauleira

setembro 5th, 2012

O resto fica por conta do guitarrista…rsrs

Bruno Oliva

17 de setembro de 2012


Paula curti muito seu trabalho, me da uma dica aê. Como faço para deixar o verniz da guitarra fosco? Queria  deixar tipo umas 2 listras estilo capô de mustang brilhantes aproveitando a pintura original, colocando fita crepe e o resto deixar fosco.

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