Muitas pessoas trazem seus instrumentos para uma restauração, mas desta vez fizemos o contrário: DESTRUIMOS TUDO…e sem dó nenhuma!
ANTES
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Além de acabamento em verniz, o corpo ainda possuia um revestimento com folha de madeira para disfarçar as emendas do corpo.
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Mas para esse trabalho foram utilizadas algumas “técnicas” destrutivas para identificar a Strato como uma guitarra supostamente desgastada pelo tempo de uso.
Vamos ao que realmente aconteceu por trás dos bastidores nervosos da Pauleira Guitars:
Como a distância versus tempo é algo que precisamos resolver em algumas situações, em parceria com a Music Kolor fizemos tudo pelo Correio desta vez para facilitar nossas vidas de leva e traz!
E se o Correio por acaso estragasse a futura pintura da guitarra “transparente” só iria ajudar no processo!
O trabalho da MK é muito bom! E para homenagear sua nova fase de rupturas e novos desafios, detonamos todo o trabalho dos meninos!
“Estragar” um corpo de guitarra é uma arte extremamente abstrata e pessoal…vocês devem estar imaginando: Nossa, que coxinha! Ela desenhou e estiletou os desgastes! Nossa, fia! Estraga logo isso!
Por se tratar de algo muito abstrato e sem replicar nenhum detalhe de um modelo, segui algumas especificações dadas pelo responsável pela criança. Algumas regiões procurei seguir o que me foi pedido para que o músico não fosse surpreendido negativamente.
Existem milhares de formas de detonar uma guitarra…eu utilizei alguns recursos. Comecei com a lâmina para demarcar as principais regiões.
Além de raspar para tirar a tinta (que a Music Kolor fez questão de dificultar esse processo!!!) com o formão, também houveram batidas espontâneas pelo corpo…momento de extrema catarse…
O momento foi tão intenso que saí batendo a guitarra na bancada também!
Riscos, batidas, amassados, lascados…tudo que um guitarrista levaria anos para destruir durante suas longas turnês, fiz em meia hora!
FOTOS DA PRIMEIRA FASE DO PROCESSO RELIC:
Após agredir brutalmente a Strato, iniciam-se os trabalhos de transformação de todo esse desarranjo voltados para o envelhecimento “natural” das marcas.
Utilizei lixa 80, 120, 220, 400…não existe uma fórmula pronta para danificar um instrumento. Tudo aqui foi sendo testado conforme as disponibilidades de recursos e seguindo algumas exigências do Marco (a quem pertence esta guitarra).
Isso eu fiz só para tocar o terror e plantar a discórdia entre os seres humanos!
Um acabamento mais refinado nas transições entre madeira aparecendo e tinta cobrindo – tudo para disfarçar o proposital.
Outro dia ganhei um batom dessa cor e me disseram que era cor de boca…mas não serviu pra minha!
Nem tudo é o que parece, certo?! Nem todos os recursos disponíveis foram utilizados…esse lubrificante para cravelhas eu ganhei faz um bom tempo. Nunca tive a oportunidade de usar e achei que talvez esse fosse o momento certo.
Sombreados, gorduras, suor…tudo isso é captado pela madeira exposta de uma guitarra “estrupiada”.
Luva pra que?! Desculpem, mas eu tinha acabado de fazer as unhas nesse dia…
OBS: Esse trabalho não foi feito todo no mesmo dia: além de ter ficado na chuva, o corpo da guitarra passou alguns dias no sol também.
Como o tema “Relic” foi tratado de diversas formas durante o processo de realização do mesmo, muitas vezes tive que mudar as atividades tentando envelhecer a cor – o que poderia ter sido feito durante a pintura. Mas tudo bem, aqui o cliente tem que sair feliz e satisfeito, mesmo que para isso eu tenha que apelar para forças sobrenaturais…tipo fazer café!
Alguns minutos de cada lado para não enrrugar a tinta por completo…
Líquido preto para couro, óleo de peroba, óleo desengripante…
A idéia era encardir as rachaduras provocadas “pelo teeeempo” e dar uma força para a tinta da guitarra amarelar mais rápido – aí, em tempo real, conforme sua utilização. Afinal, o músico também tem que deixar suas marcas no instrumento…a gente só deu o start!
Bom, todas as pausas são criativas…ou não! Coloquei um sache de chá mate para envenenar a bebida e fazer outra aplicação.
Este foi o último recurso que utilizei para acelerar o processo de envelhecimento…enquanto a galera procura a juventude, estou trabalhando com o envelhecimento precoce!
DETALHES DAS AVARIAS:

Marcas de quando o guitarrista abaixou junto com a guitarra para mexer na pedaleira e bateu o cutaway no pedal board e no pedestal de microfone
MONTAGEM
O resto já estava tudo envelhecido pelo tempo então foi mais fácil compor o visual relíquia.
O problema de utilizar hardware nesse estado é a transferência de ferrugem para as cordas, trastes, elétrica…neste caso eu poli o apoio das cordas nos carrinhos para auxiliar o aumento do tempo de vida da mesma (alguns ítens não devem ser envelhecidos!). Neste caso é importante sempre trocar as cordas.
Aliás, a outra única coisa nova da guitarra é o encordoamento.
Será que essa guitarra estava só guardada?
IMAGENS DO FINAL DOS TRABALHOS:




































































MUSIC KOLOR
17 de agosto de 2012
Vou ali me jogar do prédio! hahahaha… ficou sensacional Pauleira.. parabéns! Vai chover pedidos!
Pauleira
agosto 18th, 2012
Rafa, a arte de estragar um belo trabalho mexe muito com nosso emocional, mas temos que ser fortes! hahaha
Teo Oliver
17 de agosto de 2012
Ficou muito bonita, essa combinação de branco com escudo preto, acho que fica animal em strato!
A arte de relic ficou muito ledal tbm, muito caprichado e detalhado…Ficou muito bonita!
Mas que deu dó de destruir a guitarra deu…rsrsrs
Kleber
17 de agosto de 2012
Paula, isso sim é “VINTAGEZAR” radicalmente.
Muito legal.
Rafael
17 de agosto de 2012
que que isso heim!! ficou fantástica!!
parabéns! deu até inveja do dono
Thiago Aranha
17 de agosto de 2012
Ficou muuuuuuuito legal, Paulinha!! Se chegar outra com um pedido, me da um toque que vou ai no hora do almoço te ajudar. De grátis! hahahahah
Pauleira
agosto 18th, 2012
Aí sim hein!!! Pode deixar que eu te chamo pra gente detonar a guitarra! rsrs
Alexandre
18 de agosto de 2012
Acho muito legal este lance de romper as barreiras conservadoras e inovar. Me identifico muito com seu trabalho, as pessoas as vezes me chamam de maluco por modificar meus intrumentos. é bom saber que não sou o único rsrsrs. Uma vez, ouvi que caminhos iguais nos levarão a lugares iguas… rsrsrs (filosofei).
Sou seu fã, mais uma vez parabens pelos trabalhos, acompanho mais o seu site do que o site da minha faculdade rsrsrs.
Pauleira
agosto 20th, 2012
Hahahaha nossa Alexandre, sim romper barreiras conservadoras é um aprendizado muito impactante.
O importante é saber bancar suas idéias!
Muito obrigada por acompanhar o site, mas a faculdade também pode ser vista de uma forma tão legal quanto….dependendo do quanto você se identifica com ela!
Um abraço
Cicero
20 de agosto de 2012
Paula, sou admirador do teu trabalho, mas confesso que não gostei do visual Relic nessa Strato… acho que um bom Relic deve ir só até certo ponto, depois o cliente vai usando e agregando destruição/desgaste – quando vc começou a tonalizar as manchas da madeira e lixar os desgastes, o resultado ficou artificial. Eu já cheguei a pensar e fazer um Relic eu mesmo, mas como você é uma profissional extremamente competente e não chegou num resultado que eu considero ideal, já desisti da idéia de mexer por conta própria, hahah… no mais, parabéns pelo blog e pelos seus posts, eu sempre aprendo alguma coisa.
Pauleira
agosto 20th, 2012
Oi Cicero, fique a vontade para não gostar também…isso é normal! Afinal tratam-se de trabalhos voltados para os gostos dos clientes e como cada um tem um gosto pessoal diferente, eu sigo isso e aprendo com todo mundo.
Eu pessoalmente gostei deste trabalho. O mais importante foi o acompanhamento e a aprovação do cliente.
Se a encomenda fosse sua eu faria de outro jeito. E gostaria do mesmo jeito!
Assim que funciona…não quer dizer que tudo o que eu faço é da mesma forma, muito pelo contrário. Me moldo ao gosto e preferências dos clientes.
Um abraço!
Elio Motta
21 de agosto de 2012
Não é muito a minha praia o tipo Relic, mas tenho que reconhecer a qualidade do trabalho ( alias, como tantos outros que você fez e faz.) Muito legal ver um trabalho assim, pois confesso que não teria estrutura emocional para fazer este trabalho ( Só de ver o coração doi rs rs rs : se tivesse que fazer , chamaria a equipe de apoio: auxiliar doméstica, filhos pequenos e talvez até um cachorro ! rs )
Parabéns pelo post
Pauleira
agosto 21st, 2012
É tem que ter coragem mesmo rsrsrsrsrs – se fosse um corpo com a pintura já pronta é uma coisa, mas tive que mandar para a Music Kolor que fizeram um trabalho lindo….depois estragar, acho que o que mais pegou foi isso! =D
Cicero
21 de agosto de 2012
Pois é, tens toda razão, pensando melhor, deve ser uma questão de gosto pessoal mesmo. O importante é a satisfação do cliente, vc está certíssima. É por isso que continuo admirando teu trabalho.
Pauleira
agosto 21st, 2012
=D Um abraço
Matheus Figueiredo
22 de agosto de 2012
Achei interessantissimo o trabalho de relic, pra mim só faltou tirar um pouquinho de brilho (mas acho que a cor branca não ajuda a perceber isso direito) e faltou as marcas de cigarro no headstock rsrsrsrs clássicas. No mais ficou muito bom!
Pauleira
agosto 22nd, 2012
Matheus…e.sse guitarrista não fuma rsrsrsrsrsrsrs mas é bem legal isso também e as manchas na escala, quem sabe numa próxima!
Abs
Felipe
27 de agosto de 2012
Olá Paula, Como você fez aquela ”parada” com o café?, simplesmente deu um banho na guitarra com café, se sim , por quanto tempo?
e como eu faço para tirar o verniz da guitarra?
Agradeço desde já.
Abraço
Pauleira
agosto 28th, 2012
Felipe, não contei o tempo exato, ficou uns 20 min acredito eu…
Para tirar o verniz, lixando, passando tinner, bombril…
Cicero
3 de setembro de 2012
Paula, a Music Kolor fez pintura dessa guitarra em poliuretano ou nitrocelulose? Eu tenho interesse em refazer a pintura da minha guitarra que é em Poli pra Nitro… caso eles façam, sabe quanto custa? Essa strato que vc fez o Relic, era em qual tipo de pintura?
Pauleira
setembro 4th, 2012
A Music Kolor faz nitro e pu – essa é em PU.
Raissa
5 de setembro de 2012
Relicar deve ser algo descomunal… imagina a dor de acabar uma guitarra?! Sou adepta de guitarra de 20 anos parecendo que tem 5 anos.
No mais, Paula, seu trabalho foi muito bom. Não pareceu tãão artificial.
Abraço
Pauleira
setembro 5th, 2012
O resto fica por conta do guitarrista…rsrs
Bruno Oliva
17 de setembro de 2012
Paula curti muito seu trabalho, me da uma dica aê. Como faço para deixar o verniz da guitarra fosco? Queria deixar tipo umas 2 listras estilo capô de mustang brilhantes aproveitando a pintura original, colocando fita crepe e o resto deixar fosco.
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